CASO DE XENOFOBIA NA PRINCESA DO SERTÃO
Quem me conhece sabe de perto
que sou um esmerado amante dos artigos de couro, fumo feito uma caipora e sou exigente com os
meus direitos básicos como cidadão. Nunca me fiz de rogado no tocante a esses
princípios básicos.
E como bom nordestino que sou
não abro mão do meu ‘ LUNGUÍSMO ‘nas
minhas respostas .
Pois bem; hoje dia 27 de Fevereiro
de 2014 saio Eu com minha esposa com destino a ‘Casa do Trabalhador’ na cidade
de Feira de Santana e como não tenho automóvel lá vamos nós (como todo cidadão
que; desprovido do tal aparato indispensável faz; ) “ DE BUZÚ ” o que aliás é
um direito básico do cidadão ter um transporte público de qualidade,, direito
este constituído e conquistado (que nunca foi empossado no Brasil).
Após mais de 40 minutos de
espera e dezenas de; “ esse passa próximo a Rodoviária?” e ouvir a corriqueira
resposta “ não.” De motoristas mau humorados e mau preparados , resolvi entra
em um “direta” reclamando pelos cotovelos...
Vestia eu meu traje peculiar e
basicamente (minha indumentária cotidiana) sandália de couro , chapéu de
vaqueiro (em couro) e o meu velho e tradicional BIZÁCO de couro (nada raro pra
uma cidade que teve suas origens nesse personagem )quando de súbito a trocadora
do ônibus olhou pra mim com certo desdém e e sugeriu ironicamente; “ – o sr. Pode
descer no transbordo central e esperar um outro ônibus que passe na
rodoviária.. “ PUTZ! Foi a gota d’água!
Raciocinem comigo; o tempo de espera no transbordo central é de
uma média de 15 a 20 minutos, o trajeto (DUZINFERNUS!) até chegar ao meu futuro
destino mais uns 20 o que somariam juntos cerca de quarenta minutos, quando na
verdade (embora puto) eu gastaria cerca de 7 minutos da praça Bernardino Bahia
até a Georgina Erismam ... eu fitei-lhe os olhos e disse meio que chateado; “ - Senhora, Seria insanidade eu aceitar essa
sugestão.. “ mal terminei de falar ela me interrompeu com a seguinte objeção: -
o senhor está me chamando de LOUCA!!??? – de modo algum. Argumentei em vão.
A criatura com cara de mulher
mau amada, com um mau hálito “dus dhiábus “ e péssimo preparo profissional
ficou endemoniada (como ela mesma falaria , já que era perceptível que se
tratava de uma evangélica a julgar pelas expressões de hábito de linguagem que
a vi usando posteriormente.) Confesso que me contive pra não xingar a senhora
mãe dela...
O pior estava por vir. Ao
chegarmos na ‘casa do trabalhador’ duas filas gigantescas se formavam dobrando
quarteirões e não havia nem sinal de um profissional pra nos dar uma informação
(isto quase 7h e 20m da manhã) após uma longa espera foi nos permitido formar três
filas separadas para o atendimento.
E lá fomos nós nos
dirigindo ao local de Predestino (não é destino não .) pasmem senhores o pior
dos absurdos que eu pude ouvir nos últimos 45 anos (ou seja desde que nasci) um
jovem casal de guardas municipais se dirigiram a mim e o jovem pôs sua mão
sobre o meu tórax e com essas palavras me disse: “ O SR. NÃO PODE ENTRAR AQUI COM ESSE CHAPÉU...” como é que é??? Perguntei puto da vida - “
ISSO MESMO MOÇO É PROIBIDO USAR ESSE CHAPEU AQUI. “ Afirmou ele categoricamente. – pois bem. Respondi
tirando meu chapéu de couro e ingressando bastante constrangido na fila de
espera onde os olhares me cercavam com ares de censura.
Foi quando me dei conta da ‘onda
de azar’ que me cercava. Xenofobismo era o nome. Ato onde um individuo oriundo
do sertão que conserva as origens é tratado com preconceito. Me senti bastante
ofendido e claro agredido com as referidas atitudes. Pois até onde eu sei (corrijam-me
algum douto no assunto) não existem em nossa constituição um único paragrafo
onde diz que é PROIBIDO O USO DE CHAPÉUS em repartições públicas. isso acontece
em terra de gente ignorante, preconceituosa, falsa-moralistas, e metidos a
besta.
O absurdo maior é que esta
cidade denominada de Princesa do Sertão,
nunca respeitou esse título, nunca defendeu essa bandeira. Essa é a
cidade onde a cultura popular é tratada como ambulantes que emporcalham a
cidade, essa é a cidade onde a truculência contra OS NORDESTINOS artistas é palpável
a remotos anos. Essa é a cidade onde as
pessoas que se vestem como naturais da região são chamados de TABARÉUS. Uma cidade
que teve suas origens nos tropeiros e nos vaqueiros , na feira livre, no cordel
e na cultura dos reisados que lastimavelmente está perdendo a sua essência, que
sem medo de errar afirmo estão tornando-a uma cidade europeizada (clone de uma
cultura que sua população desconhece e nunca terão acesso) cidade onde cidadãos
mau formados estão a postos onde não estão qualificados. Tabaréus urbanos, sem
cultura, sem noções básicas de cortesia , e diga-se de passagem PRECONCEITUOSOS
.
Para completar a minha
chateação , não resolvemos nada do que fomos resolver a acabamos voltando pra
casa. No caminho de volta o céu nos agraciou com uns pingos de chuva e a cidade
ganhou até ares de cidade do sertão por alguns segundos.
Andávamos no calçadão da Av Getulio Vargas
amparados pelas sombrias fachadas das lojas que compõem a mesma. A Minha esposa
decidiu comprar duas toalhas de rosto e entrou em uma das lojas em frente ao mercado
de arte popular eu fiquei ali contemplando a chuva e a esperando. Resolvi fumar
um cigarro enquanto a esperava , como eu estava em um ambiente aberto e arejado
e quase não tinham pessoas transitando no local ( pois mesmo tabaréu eu sou
ético e sei que quem fuma sou eu e não os outros.) Ascendi meu cigarro enquanto
esperava.
A-C-R-E-D-I-T-E-M! um funcionário de uma das lojas saiu do seu
posto de serviço e dirigiu-se a mim com as seguintes palavras: “- senhor a
fumaça do seu cigarro está entrando na loja.” Como? Perguntei abismado – o que
o senhor ouviu... - sim e...??? perguntei
dando de ombros.
- está incomodando. – ora feche
a loja! Respondi bastante seguro. Como?? Perguntou ele. Eu disse feche a loja
pois estou em via pública e arejada o que me permite fumar, caso não resolva
passa um e-mail pra NATUREZA e reclama que o vento está levando a FUMAÇA do MEU
CIGARRO pra dentro do seu nariz...
Nossa esse Chapéu de
couro e essa minha indumentária ta me tornando [ IN ]popular e daí eu tenho orgulho de ser NORDESTINO!










